When your legs are tired, walk with your heart
There will be an answer, let it be.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sobre/viver
Andava. E andando pensou. E pensando sentiu. Sentiu o vento, sentiu a chuva, sentiu a vida. Sentido não via. Deveria fugir, talvez. Um mergulho estrada afora. Destino: milhas de lugar nenhum. Não sabia porque, mas sentia-se feliz em terra de ninguém. Cansou de ser mundo, cansou de ser todos. Queria mesmo é ser mulher. Foi quando olhou para a frente e viu aqueles olhos. Dois olhos negros e quentes. E a vontade de vida reviveu: uma vitória. Era a mulher que queria.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Tudo seria belo se fosse amor.
-Deixe ele bater- disse o moço incomodado- Deixe-me tocá-lo.
E aí então tudo estava acabado, ferrado, destruído. Tudo corria bem, mas aquelas palavras, ah, aquelas palavras. Jogaram tudo pelo ares, como bolhas de sabão em dias de domingo. Sempre tem alguém para estourá-las.
- É capaz de perceber minhas mãos e pernas estremecendo? Meus olhos se inundando de agonia? É capaz de perceber o pulsar do meu corpo? O sangue correndo em minhas veias? É capaz de perceber as cicatrizes , o querer gritar de minhas cordas vocais? É capaz de perceber o oxigênio que não penetra em meus pulmões?
A partir daí tudo seria sonho, magia, ilusão. Tudo seria belo se fosse amor e não medo.
E aí então tudo estava acabado, ferrado, destruído. Tudo corria bem, mas aquelas palavras, ah, aquelas palavras. Jogaram tudo pelo ares, como bolhas de sabão em dias de domingo. Sempre tem alguém para estourá-las.
- É capaz de perceber minhas mãos e pernas estremecendo? Meus olhos se inundando de agonia? É capaz de perceber o pulsar do meu corpo? O sangue correndo em minhas veias? É capaz de perceber as cicatrizes , o querer gritar de minhas cordas vocais? É capaz de perceber o oxigênio que não penetra em meus pulmões?
A partir daí tudo seria sonho, magia, ilusão. Tudo seria belo se fosse amor e não medo.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Divagações
Um ônibus errado, uma coversa alheia, uma aula chata.
E a mente viaja, e viaja tão longe...
Sem tirar os pés do chão, ou abunda da cadeira.
Enxergamos tudo e todos lá do alto,
como seres superiores ( apenas por um momento).
Enxergamos a ignorância inocente de toda senhora queixosa;
Enxergamos a preguiça acomodada do saber, o desperdício.
As pessoas se escondem.É, elas tentam.
Mas quem engana um olhar atento, um coração sensível?
Lobo em pele de cordeiro. Em pele, cabelo e simpatia ( ou não).
e o que é certo? Ninguém sabe.
Ou acham que sabem, tolos.
É tudo uma questão de ponto vista, valores morais.
E assim, errando acertos, seguimos ferindo corações.
Não um coração de lobo, ou de cordeiro.
Um coração que pulsa sístole, diástole...sístole, diástole.
E eu continuo aqui, pulsando. Pensando.Tentando.
E eu continuo aqui sorrindo.
E a mente viaja, e viaja tão longe...
Sem tirar os pés do chão, ou abunda da cadeira.
Enxergamos tudo e todos lá do alto,
como seres superiores ( apenas por um momento).
Enxergamos a ignorância inocente de toda senhora queixosa;
Enxergamos a preguiça acomodada do saber, o desperdício.
As pessoas se escondem.É, elas tentam.
Mas quem engana um olhar atento, um coração sensível?
Lobo em pele de cordeiro. Em pele, cabelo e simpatia ( ou não).
e o que é certo? Ninguém sabe.
Ou acham que sabem, tolos.
É tudo uma questão de ponto vista, valores morais.
E assim, errando acertos, seguimos ferindo corações.
Não um coração de lobo, ou de cordeiro.
Um coração que pulsa sístole, diástole...sístole, diástole.
E eu continuo aqui, pulsando. Pensando.Tentando.
E eu continuo aqui sorrindo.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Mania (s)
Cada um tem a sua. Você só assiste aula mascando chiclete, ele toma uma pinguinha rigorosamente antes de cada refeição, ela só entra em casa após dar dois pulinhos e uma batida em cima do carpete. Seja qual for a bizarrice, tenha certeza de que todas as manias existem, individualmente, de um para outro.
Engraçada é a mania comum, aquela que todos temos. Ô mania irritante, ô mania intrometida! Ô mania de brincar de ser Deus!
A gente finge que não, mas a todo momento estamos julgando, e não só julgando. A todo momento condenamos o comportamento alheio. A todo momento nos intrometemos, como juízes, na vida que não é nossa. E eu aqui pergunto: que direito temos de brincar de ser Deus? Que direito temos de intervir e que direito temos de julgar?
Acho, sinceramente, que ser humano está perdendo o sentido. Acho que o pronome "eu" poderia ser retirado de circulação. Acho que as atenções estão muito mais voltada para "eles" do que para "eu". E como é triste perder-se desse jeito.
Vejo que cada vez mais nos esquecemos de cuidar de nossas próprias vidas, de tão preocupados com o que ocorre ao nosso redor. E logo nós, que buscamos tanto a felicidade... felicidade a gente não encontra na vida de ninguém não, a gente encontra na nossa vida! Felicidade não se faz julgando ninguém, porque ela está em nós, em nossa essência. Essência essa que não pode ser sobreposta por terceiros.
Temos que parar de ser Deuses e sermos um pouco mais humanos.
Engraçada é a mania comum, aquela que todos temos. Ô mania irritante, ô mania intrometida! Ô mania de brincar de ser Deus!
A gente finge que não, mas a todo momento estamos julgando, e não só julgando. A todo momento condenamos o comportamento alheio. A todo momento nos intrometemos, como juízes, na vida que não é nossa. E eu aqui pergunto: que direito temos de brincar de ser Deus? Que direito temos de intervir e que direito temos de julgar?
Acho, sinceramente, que ser humano está perdendo o sentido. Acho que o pronome "eu" poderia ser retirado de circulação. Acho que as atenções estão muito mais voltada para "eles" do que para "eu". E como é triste perder-se desse jeito.
Vejo que cada vez mais nos esquecemos de cuidar de nossas próprias vidas, de tão preocupados com o que ocorre ao nosso redor. E logo nós, que buscamos tanto a felicidade... felicidade a gente não encontra na vida de ninguém não, a gente encontra na nossa vida! Felicidade não se faz julgando ninguém, porque ela está em nós, em nossa essência. Essência essa que não pode ser sobreposta por terceiros.
Temos que parar de ser Deuses e sermos um pouco mais humanos.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Quanto vale um segundo?
Três segundos foi o tempo exato. Em três segundos nossos olhos se prenderam. Por três segundos não era eu, não era você. Por três segundos éramos nós. Durante míseros três segundos nos conhecemos a fundo. Seus olhos me analisaram, em apenas três segundos, como uma máquina de raio-x. Você me abraçou. Sua voz permaneceu em meu ouvido. Seu cheiro impregnou todo o meu corpo. Seu toque fez estremecer minha espinha. Bastou três segundos para tornarmo-nos amantes. Um tempo tão ralo que, após um segundo era só eu. No quarto segundo eu não queria o seu abraço. Eu queria a minha voz, não a sua. Eu queria o meu cheiro, queria o meu corpo. Durante três segundos nos quisemos. O tempo exato para, um segundo depois eu querer só a mim. Era a minha vez de ser gata de rua.
sábado, 19 de março de 2011
Todas as faces de uma cebola
Basta uma faca. Dois ou três cortes. Cortar cebolas arde demais, e você chora demais, porque dói demais. A cebola não dói, claro. Dói a mente. E a ardência da coitada da cebola se torna uma bela de uma desculpa para lavar a alma. Para chorar por tudo aquilo que dói. Porque dói saber que as coisas são assim. Dói saber que seu amor não é correspondido. Dói saber que você foi feito de idiota. Dói saber que te passaram a perna. Dói saber que pessoas se vão para não voltar. Dói saber que milhares de pessoas morrem por desastres naturais. Dói saber que somos mais preocupados com o lançamento do próximo gadget do que com a cura do câncer. Dói saber que estamos poluindo cada vez mais. Dói ver cairem as porcentagens de áreas florestadas e subirem as porcentagens de mortos em acidentes. Dói pensar em amor, não sei porque, mas amor dói às vezes. Dói pensar que somos completamente incapazes de resolver todos esses machucados que se abrem cada vez mais por nossas costas, enquanto cortamos a cebola do almoço, que também irá doer ao queimar no óleo da panela.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor
Assinar:
Postagens (Atom)