segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Walking, wanderig, getting lost

Andar, vagar, perder-se. Caminhar não é somente exercício físico, não é somente meio de locomoção; caminhar é refletir. Muitos, ao andar, focam-se no trajeto; miram muito além de onde estão as pernas, contam tempo, batimentos... Caminhar é muito mais. É sair do consciente, é sentir o chão, o suor, é lembrar que você existe, e só você. É hora de pensar nos seus problemas, e não no monte de papéis que você assinou na empresa, muito menos no almoço do dia seguinte. Caminhar é encontrar-se em meio a muitas pessoas, é olhar para o mundo e se ver refletido, é o seu tempo para você, é tempo de silêncio.
Ah, o silêncio. Como é difícil permanecer calado por instantes. Penso que seja da natureza humana essa necessidade de falar... Quando ficamos em silêncio frente à outras pessoas, parece que estamos sendo desvendados, parece que estamos ficando transparentes. Mas o silêncio pode ser um meio de expressão muito forte; perdem-se as palavras, mas dá-se lugar às expressões. Os olhos encontram-se, alguns não conseguem se encarar durante muito tempo (como é difícil deixar ser desvendado, não?). O silêncio fala, fala até mais do que a fala, que, de tanto falar, se perde em palavras às vezes desconexas.
Não queira procurar sentido no silêncio. Há coisas que não têm sentido algum. Use o silêncio para observar, há tanto que passa despercebido! Abra o olhar. Não olhe com esses olhos comuns, estereotipados, cristalizados... Você tem seus próprios olhos, você pensa por si próprio. Observar é a possibilidade se sair de si e notar tudo o que gira ao seu redor. Veja, note, pense, explore.
Explorar sim é difícil. Mais do que abrir-se, explorar é também deixar que algo entre, algo novo, desconhecido. O desconhecido sempre nos assusta de primeira, mas aos poucos se torna emocionante. Nem sempre é prazeroso. Você pode estar de olhos vendados e alguém pode te dar um morango para comer; ou pode estar de olhos vendados e degustar uma bela de uma pimenta. Explorar vai ser sempre assim, composto de doces e apimentados, igualzinho à vida, vida essa que deveria ser fotografada a cada instante.
Já pensou em quantos acontecimentos deixamos passar sem registros? Acontecimentos que são, sim, lembrados, mas sem aquela perfeição, sem o detalhamento que uma fotografia proporciona. Fotografar vai muito mais além de um “clique”. É captar as expressões, as pessoas presentes, é poder reviver a sensação olhando apenas para um pedaço de papel impresso. A fotografia muitas vezes capta aquilo que não conseguimos ver em um rápido olhar. Eu, particularmente, adoro andar por entre fotografias, vagar pelas imagens, perder-me em feições variadas.

3 comentários:

  1. "O silêncio fala, fala até mais do que a fala, que, de tanto falar, se perde em palavras às vezes desconexas."
    Curti essa parte. Aliás, curti o texto todo. Mandou bem menine!

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  2. É meu trabalho de Atividade Como Recurso Terapêutico AUOSHUOAHSUOAHSUOHAUOHAOSA
    Vou começar a aproveitar os trabalhos aqui no blog HASUOHAUOSHAUOHSUOHS

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  3. Mandou muito bem,Cat...ficou sensacional!!!!!!!!

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